Duas comunidades em conflito e um tipo de exclusão social que tem pouco a ver com as tradicionais realidades empíricas do senso comum, sejam elas econômicas ou de comportamento – ambos grupos se enquadram numa mesma “classe econômica”, são compostos por compatriotas e até os níveis de criminalidade das duas regiões são equivalentes. Então, porque um grupo se considera melhor, mais “limpo”, e consegue estigmatizar e construir uma fantasia coletiva que exerce visível coerção social ao considerado grupo “sujo”, dos piores?
Estudando uma pequena comunidade (micro) os pesquisadores pretendem visualizar aspectos gerais do comportamento social (macro). O próprio Elias avalia a exclusão como uma constante universal, daí a importância de uma “Sociologia das Relações de Poder” para que se possa propor um modelo teórico que ajude a explicar como ela (exclusão) se desenvolve nas sociedades.
Os Estabelecidos e Outsiders apresenta um ensaio introdutório no qual o autor alemão consegue amarrar os aspectos principais da investigação, construindo importantes contribuições teóricas para a sociologia. É um texto mais denso, claro e direto; saborosa leitura instrutiva para todos.
Já em seu desenvolvimento, a obra representa uma verdadeira aula de pesquisa, deixando evidente a importância da sensibilidade, intuição e criatividade do investigador para a produção do conhecimento em ciências sociais.